| Santa Clara de Assis | |
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| Nascimento | 16 de Julho de 1194. Assis, Itália |
| Morte | 11 de Agosto de 1253. Assis, Itália |
| Canonização | 15 de Agosto de 1255 |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Televisão, Telecomunicações |
No dia 11 de agosto, a Igreja celebra Santa Clara de Assis, virgem do século XIII, fundadora das Irmãs Clarissas. Com apenas dezoito anos, sem a permissão da família paterna, seguiu São Francisco, deixando toda a sua riqueza e dedicando-se totalmente à oração. É Padroeira da Televisão.
Vida Pessoal
Domingo de Ramos de 1211. O silêncio da noite, nos campos de Assis, foi quebrado pelos passos rápidos de Clara, dezoito anos. Sabia estar indo contra a sua amada e rica família, mas Deus inspirou nela o desejo de uma verdadeira liberdade: ser pobre. Aquela fuga de toda segurança foi o epílogo de percurso iniciado sete anos antes, quando presenciou a um fato chocante: um jovem rico se despoja das suas roupas, as devolve ao pai e abraça a Senhora Pobreza. É Francisco! Naquela noite, ele estava na Porciúncula aguardando Clara: corta os seus cabelos, entrega-lhe um saio de lã grosseira e lhe encontra abrigo no mosteiro Beneditino de São Paulo, em Bastia Umbra. Seu pai tentou, em vão, convencê-la a voltar para casa.
O gesto de Clara atrai outras mulheres, entre as quais sua mãe e as irmãs: logo se tornaram cerca de cinquenta. Francisco as chamou “Pobres damas” ou “Pobres reclusas” e colocou-lhes à disposição o pequeno mosteiro de São Damião, que acabara de restaurar e onde recebera o convite “Vai e repara a minha casa”. Entre o Pobrezinho e Clara há plena comunhão: ela se define a “sua plantinha” e acompanha a missão dos Frades no mundo, mediante a sua oração incessante, junto com suas coirmãs.
A primeira mulher a escrever uma Regra era forte e determinada; ela obteve a aprovação, por parte de Gregório IX, - sigilada, depois, com a Bula de Inocêncio IV, em 1253, - do “privilégio da pobreza” e do ardente desejo de “observar o Evangelho”.
A doença assinala seus últimos 30 anos, mas jamais viola seu alegre contrato com o Senhor na oração: “Nada é tão grande – escreve – quanto ao coração do homem, no íntimo do qual Deus reside”. A incansável adoradora da Eucaristia, com a píxide nas mãos, afugentou dos sarracenos de Assis.
Em uma noite de Natal, recolhida em oração, assiste, na parede da sua cela, os ritos que, naquele momento, se realizavam na Porciúncula, coração pulsante da comunidade dos Frades. Por este motivo, foi declarada, por Pio XII, padroeira da Televisão.
Santa Clara faleceu no dia 11 de agosto de 1253 no chão nu do Mosteiro de São Damião. Seus lábios sussurram a última oração de ação de graças: “Senhor, vós que me criastes, sede bendito”. Uma incontável multidão, jamais vista, participou do seu enterro. Dois anos depois, foi proclamada Santa por Alexandre IV. [1]
Milagres e Testemunhos
- Milagre Eucarístico e Defesa de Assis (c. 1240) - Durante uma invasão de sarracenos (exército de Frederico II) ao convento de São Damião, Clara, mesmo doente, colocou-se em oração com o ostensório contendo a hóstia consagrada na janela. Diz a tradição que uma voz saiu da hóstia e os invasores se afastaram, poupando o local.
- Multiplicação dos Pães - Conta a tradição que, com apenas um pão para mais de 50 irmãs, Clara pediu para dividi-lo. Pela oração da santa, o pão multiplicou-se, alimentando toda a comunidade por dias.
- Milagre do Azeite - Quando o azeite do convento acabou completamente, Clara lavou a vasilha vazia e a colocou do lado de fora. Por intercessão dela, a vasilha apareceu cheia de azeite.
- Cura de Enfermos - Santa Clara realizou curas em irmãs do convento e em outras pessoas através do sinal da cruz.
- Sinal da Cruz nos Pães - Em uma visita, o Papa pediu que Clara abençoasse os pães no oratório; ao fazer o sinal da cruz, cruzes apareceram sobre eles.
Legado
A Regra de Clara de Assis é a primeira na história da Igreja escrita por uma mulher para as mulheres. As Irmãs da Federação de Santa Clara de Assis das Clarissas das regiões italianas da Úmbria e da Sardenha repropõem a visão da Madre Clara sobre o direito de não possuir nada e o dever de obedecer somente a Deus e à consciência.
A Madre Clara de Assis fala ainda hoje com voz evidente, atualíssima. A sua Regra — a primeira na história da Igreja escrita por uma mulher para as mulheres – é a das suas escolhas de vida revolucionárias que falam diretamente às mulheres e aos homens de hoje. Desobedecer a uma ordem que viola a relação de confiança com Deus, diz por exemplo a Regra pela qual Clara lutou há oito séculos, é um dever, não uma opção. Um princípio afirmado na regra clariana de 1258 que, contudo, por vontade do Papa, estava destinada a não ir além do círculo de mulheres que chamavam Clara “madre” no mosteiro de São Damião. E assim foi historicamente. Na Regra de Clara lê-se: "As irmãs súditas, (...) sejam firmemente obrigadas a obedecer às suas abadessas em tudo o que prometeram ao Senhor de observar e isso não seja contrário à alma e à nossa profissão".
Ainda hoje, o direito de nada possuir questiona-nos. A posse, na civilização do consumo compulsivo, é a nova “virtude” social e uma fonte de escravidão. Clara, a quem as pobres irmãs de hoje voltam a dar voz, diz que a posse não é uma virtude. Nem sequer a obediência, se pretender fazer violência à consciência livre. [2]
