Santo Ambrósio

PUBLICADO: 9/3/2026

Santo Ambrósio
Imagem de Santo Ambrósio
Nascimento 340 d.C. Augusta dos Tréveros, Império Romano
Morte 4 de abril de 397. Milão, Itália
Dia Festivo
Padroeiro(a) Apicultores, Abelhas, Fabricantes de Velas

Santo Ambrósio é um dos grandes Doutores da Igreja do Ocidente. Bispo de Milão, autor de célebres hinos e textos litúrgicos e promotor dos estudos de Mariologia, Ambrósio personificou o papel ideal de pastor. A Igreja recorda este santo, inflexível contra as heresias, em 7 de dezembro.

Vida Pessoal

No seu tempo, havia divisões sociais dilacerantes. Em 7 de dezembro de 374, em uma igreja milanesa dava-se uma discussão animada: a embaraçosa nomeação do novo Bispo da cidade, capital do império romano do Ocidente, havia agravado a separação entre Católicos e Arianos. A negação da divindade de Cristo, defendida pelos Arianos e combatida pelos Católicos, era vista como uma barreira insuperável na escolha de um pastor, que pudesse representar ambas as partes.

Como mediador, foi convocado o Governador das regiões italianas da Lombardia, Ligúria e Emília-Romagna, conhecido pela sua imparcialidade e equidade. Ele se chamava Ambrósio, nascido em 340, em Augusta dos Tréveros, Alemanha, no seio de uma família romana cristã, terceiro de três filhos, que também se tornaram santos: Marcelina e Sátiro.

Ambrósio concluiu seus estudos jurídicos em Roma, sob o exemplo do pai, Prefeito da Gália, aprendendo a oratória e a literatura greco-latina. O sucesso na sua carreira de magistrado e o seu equilíbrio em resolver controvérsias bastante difíceis tornaram-no o candidato ideal para moderar o impetuoso debate milanês, que começou com a morte do Bispo ariano, Auxêncio. O convite de Ambrósio ao diálogo convenceu o povo e evitou o perigo de tumultos.

Porém, enquanto o Governador pensava ter cumprido a sua missão com sucesso, aconteceu um imprevisto. Entre a multidão, elevou-se uma alta voz de criança, que ecoou em toda a assembleia, que dizia: “Ambrósio Bispo!”. Assim, Católicos e Arianos, inesperadamente, chegavam ao desejado acordo. A ovação popular desnorteou Ambrósio, porque não era batizado e se sentia indigno. Quis rejeitar ao cargo dirigindo-se ao imperador Valentiniano, que, porém, confirmou o anseio popular. Então, Ambrósio fugiu. Mas, também o Papa Dâmaso o achava idôneo à dignidade episcopal. Logo, entendendo que esta era a vontade de Deus, aceitou e se tornou Bispo de Milão, com apenas 34 anos de idade.

Construtor de Basílicas, compositor de hinos, que revolucionaram o modo de rezar, e incansável na oração, Ambrósio morreu no Sábado Santo de 397. Uma multidão imensa o homenageou no dia de Páscoa. [1]

Missões e Obras

Ambrósio distribuiu seus bens aos pobres e dedicou-se ao estudo dos Textos Sagrados e dos Padres da Igreja: “Quando leio as Escrituras – dizia – Deus passeia comigo no Paraíso”. Aprendeu a pregar de tal maneira que a sua oratória encantou o jovem Agostinho de Hipona, levando-o à conversão.

Assim, a vida de Ambrósio se tornava, cada vez mais, sóbria e austera, toda dedicada ao estudo, à oração, à escuta assídua e solidária dos pobres e do povo de Deus.

“Se a Igreja dispõe de ouro, não é para guarda-lo, mas para distribui-lo a que mais necessitar”, disse quando decidiu fundir os ornamentos litúrgicos dourados para pagar o resgate de alguns fiéis sequestrados pelos soldados nórdicos.

As suas prioridades foram a paz e a concórdia, mas jamais tolerou o erro. A iconografia artística o representa com um açoite na mão contra os hereges. Ele combateu, energicamente, o arianismo, que o levou a discordar até com Governantes e Soberanos. Daquele conflito, que eclodiu sob o governo da imperatriz filo-ariana, Justina, Santo Ambrósio saiu vencedor, reafirmando a independência do poder espiritual do poder temporal.

O episódio da carnificina de Tessalônica foi emblemático. Depois do excídio de sete mil pessoas, em revolta pela morte do Governador, Santo Ambrósio conseguiu convencer Teodósio, autor da chacina, a se arrepender. “O imperador é da Igreja e não acima da Igreja” era a convicção do Bispo milanês, que, ao contrário da lei, não submeteu nenhuma igreja aos Arianos.

Por outro lado, Ambrósio sempre reconheceu a primazia do Bispo de Roma, dizendo: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia” (“Onde está Pedro, ali está a Igreja”). O amor a Cristo, à Igreja e a Maria emergiu das suas copiosas obras literárias e teológicas, que lhe conferiram – junto com os santos Jerônimo, Agostinho e Gregório Magno – o título de grande Doutor da Igreja do Ocidente. [1]

Milagres e Testemunhos

  • A Conversão de Santo Agostinho - Um dos maiores "milagres" intelectuais e espirituais atribuídos a Ambrósio foi a conversão de Santo Agostinho, convencendo um dos maiores intelectuais de seu tempo à fé cristã.
  • A Coluna do Diabo - Lenda diz que o diabo tentou perfurar Santo Ambrósio com chifres, mas ficou preso em uma coluna na Basílica de Santo Ambrósio em Milão. Dois buracos na coluna exalariam cheiro de enxofre.

Legado

Jesus ensinava com muita frequência aos seus discípulos e ao povo por meio de parábolas, comparações a respeito do Reino de Deus, que se faz presente aqui e agora e um dia na eternidade. Era a forma para as pessoas simples entenderem a missão da evangelização que Jesus como servo sofredor, o Enviado do Pai, assumiu a realidade humana, ao vir neste mundo, não para condenar o mundo, mas para salvá-lo (cfr. Jo 3,17). Uma das parábolas proclamadas pelo Salvador foi o grão de mostarda, a menor de todas as sementes, mas quando semeada torna-se uma grande árvore e as aves do céu fazem os seus ninhos nos seus ramos (cfr. Lc 13,18-19). Nós veremos a seguir a visão de Santo Ambrósio ao comentar esta passagem importante no evangelista São Lucas.

O Bispo de Milão relacionou o grão de mostarda, os mártires, Félix, Nabor e Vitor, pessoas ligadas ao exército romano, mas convertidas ao cristianismo, que no final dos séculos III e início do IV foram martirizados sob o comando do Imperador Diocleciano, em Milão. Para o Bispo de Milão, tinham eles o odor da fé ainda que estavam escondidos, por manterem silêncio na sua profissão da fé cristã, na sua vida profissional. Eles acreditaram em Jesus, o seu Evangelho e a comunidade cristã.

Santo Ambrósio tendo presente os mártires citados, os dons vividos por eles na sua fé, na sua caridade, disse que o Senhor é o grão de mostarda. Ele sofreu injúrias por parte das autoridades, e muitas pessoas do povo não o conheciam mas Ele foi o grão de mostarda que passou pela morte para chegar à ressurreição dando grandes frutos para a salvação da humanidade e para o Reino dos céus. Foi num horto que Jesus foi capturado e sepultado; Ele cresceu num jardim onde também ressuscitou e tornou-se uma grande árvore, capaz de abrigar povos e nações através de seus discípulos e discípulas espalhando a fé, a esperança e a caridade.

O Bispo de Mião convidou os seus fiéis para que semeassem Jesus em seu próprio jardim, como o grão de mostarda, a fim de que a graça da sua obra floresça e o múltiplo odor de virtudes se faça sentir entre as pessoas. A presença de Cristo está lá, quando a pessoa semeia e aparece o fruto. O Senhor semeia, sendo um grão quando é preso, mas Ele torna-se uma arvore quando ressuscita; cobrindo o mundo com a sua sombra. É apenas um grão quando é sepultado na terra, mas ele tornar-se-á uma árvore quando se eleva ao céu. É o Senhor Jesus, o grão de mostarda no qual é preciso semear com fé, esperança e com caridade para que a arvore se torne grande, de modo que é assim o Reino de Deus, ponto fundamental na vida de Jesus e Ele sendo o Reino de Deus, cresça com a nossa participação e um dia Ele seja glorificado junto do Pai pelo Espírito Santo, pelas obras caritativas realizadas neste mundo em favor de todas as pessoas, mas, sobretudo das mais necessitadas, os pobres. [2]

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Ambrósio, bispo de Milão e doutor da Igreja (07 dezembro)
  2. Vatican News - O Reino de Deus como o grão de mostarda em Santo Ambrósio de Milão (19 setembro 2025)