São Gregório Nazianzeno

PUBLICADO: 13/4/2026

São Gregório Nazianzeno
Imagem de São Gregório Nazianzeno
Nascimento 329 d.C. Nazianzo, Capadócia, Turquia
Morte 390 d.C. Nazianzo, Capadócia, Turquia
Dia Festivo
Padroeiro(a) Estudos Teológicos, Poetas, Oradores

Gregório de Nazianzo ou Gregório Nazianzeno (perto de Arianzo, Capadócia, 329 – Arianzo, Capadócia, 389) foi um Patriarca de Constantinopla, teólogo e escritor cristão. Conhecido também por Gregório Teólogo ou Gregório, o Teólogo, é amplamente considerado como o mais talentoso retórico da era patrística.

Vida Pessoal

Gregório nasceu de uma família nobre. A mãe consagrou-o a Deus desde o nascimento, que aconteceu por volta de 330. Depois da primeira educação familiar, frequentou as mais célebres escolas da sua época: primeiro foi a Cesareia da Capadócia, onde estreitou amizade com Basílio, futuro Bispo daquela cidade, e deteve-se em seguida noutras metrópoles do mundo antigo, como Alexandria do Egito e sobretudo Atenas, onde encontrou de novo Basílio. Reevocando a sua amizade, Gregório escreverá mais tarde: "Então não só eu me sentia cheio de veneração pelo meu grande Basílio devido à seriedade dos seus costumes e à maturidade e sabedoria dos seus discursos, mas induzia a fazer o mesmo também a outros, que ainda não o conheciam... Guiava-nos a mesma ansiedade de saber... Esta era a nossa competição: não quem era o primeiro, mas quem permitisse ao outro de o ser. Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos". São palavras que representam um pouco o auto-retrato desta alma nobre. Mas também se pode imaginar que este homem, que estava fortemente projectado para além dos valores terrenos, tenha sofrido muito pelas coisas deste mundo.

Tendo regressado a casa, Gregório recebeu o Baptismo e orientou-se para uma vida monástica: a solidão, a meditação filosófica e espiritual fascinavam-no. Ele mesmo escreverá: "Nada me parece maior do que isto: fazer calar os próprios sentidos, sair da carne do mundo, recolher-se em si mesmo, não se ocupar mais das coisas humanas, a não ser das que são estritamente necessárias; falar consigo mesmo e com Deus, levar uma vida que transcende as coisas visíveis; levar na alma imagens divinas sempre puras, sem misturar formas terrenas e erróneas; ser verdadeiramente um espelho imaculado de Deus e das coisas divinas, e tornar-se tal cada vez mais, tirando luz da luz...; gozar, na esperança presente, o bem futuro, e conversar com os anjos; ter já deixado a terra, mesmo estando na terra, transportado para o alto com o espírito".

Como escreve na sua autobiografia, recebeu a ordenação presbiteral com uma certa resistência, porque sabia que depois teria que ser Pastor, ocupar-se dos outros, das suas coisas, e portanto já não podia recolher-se só na meditação. Contudo aceitou depois esta vocação e assumiu o ministério pastoral em total obediência, aceitando, como com frequência lhe aconteceu na sua vida, ser guiado pela Providência aonde não queria ir. Em 371 o seu amigo Basílio, Bispo de Cesareia, contra o desejo do próprio Gregório, quis consagrá-lo Bispo de Sasima, uma Cidade extremamente importante da Capadócia. Mas ele, devido a várias dificuldades, nunca tomou posse dela e permaneceu na cidade de Nazianzo.

Por volta de 379, Gregório foi chamado a Constantinopla, a capital, para guiar a pequena comunidade católica fiel ao Concílio de Niceia e à fé trinitária. A maioria aderia ao contrário ao arianismo, que era "politicamente correcto" e considerado pelos imperadores útil sob o ponto de vista político. Deste modo ele encontrou-se em condições de minoria, circundado por hostilidades.

Na pequena igreja de Anastasis pronunciou cinco Discursos teológicos precisamente para defender e tornar também inteligível a fé trinitária, a habilidade do raciocínio, que faz compreender realmente que esta é a lógica divina. E também o esplendor da forma os torna hoje fascinantes. Gregório recebeu, devido a estes discursos, o apelativo de "teólogo". Assim é chamado na Igreja ortodoxa: o "teólogo". E isto porque para ele a teologia não é uma reflexão meramente humana, ou muito menos apenas o fruto de especulações complicadas, mas deriva de uma vida de oração e de santidade, de um diálogo assíduo com Deus. E precisamente assim mostra à nossa razão a realidade de Deus, o mistério trinitário. No silêncio contemplativo, imbuído de admiração diante das maravilhas do mistério revelado, a alma acolhe a beleza e a glória divina.

Enquanto participava no segundo Concílio Ecuménico de 381, Gregório foi eleito Bispo de Constantinopla, e assumiu a presidência do Concílio. Mas desencadeou-se imediatamente contra ele uma grande oposição, e a situação tornou-se insustentável. Para uma alma tão sensível estas inimizades eram insuportáveis. Repetia-se o que Gregório já tinha lamentado anteriormente com palavras ardentes: "Dividimos Cristo, nós que tanto amávamos Deus e Cristo! Mentimos uns aos outros devido à Verdade, alimentámos sentimentos de ódio devido ao Amor, dividimo-nos uns dos outros!". Chega-se assim, num clima de tensão, à sua demissão. Na catedral apinhada Gregório pronunciou um discurso de despedida com grande afecto e dignidade. Concluía a sua fervorosa intervenção com estas palavras: "Adeus, grande cidade, amada por Cristo... Meus filhos, suplico-vos, guardai o depósito [da fé] que vos foi confiado, recordai-vos dos meus sofrimentos. Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós".

Regressou a Nazianzo, e por cerca de dois anos dedicou-se ao cuidado pastoral daquela comunidade cristã. Depois retirou-se definitivamente em solidão na vizinha Arianzo, a sua terra natal, dedicando-se ao estudo e à vida ascética. Nesse período compôs a maior parte da sua obra poética, sobretudo autobiográfica: o De vita sua, uma releitura em versos do próprio caminho humano e espiritual, um caminho exemplar de um cristão sofredor, de um homem de grande interioridade num mundo cheio de conflitos. É um homem que nos faz sentir a primazia de Deus e por isso fala também a nós, a este nosso mundo: sem Deus o homem perde a sua grandeza, sem Deus não há verdadeiro humanismo. Por isso, ouçamos esta voz e procuremos conhecer também nós o rosto de Deus. Numa das suas poesias escrevera, dirigindo-se a Deus: "Sê benigno, Tu, o Além de tudo". E em 390 Deus acolheu nos seus braços este servo fiel, que com inteligência perspicaz tinha defendido nos escritos, e com tanto amor o tinha cantado nas suas poesias. [1]

Legado

O legado de São Gregório Nazianzeno, um dos quatro grandes doutores da Igreja Grega, é fundamentalmente definido por sua contribuição à doutrina da Santíssima Trindade. Conhecido como "O Teólogo", ele desempenhou um papel crucial no Concílio de Constantinopla em 381, onde sua eloquência e profundidade filosófica ajudaram a estabelecer a linguagem teológica para explicar a relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Suas "Cinco Orações Teológicas" permanecem até hoje como obras de referência, equilibrando a precisão intelectual com uma profunda espiritualidade, o que permitiu que o cristianismo respondesse de forma robusta às heresias de sua época e consolidasse sua base doutrinária.

Além de sua força intelectual, Gregório deixou um legado de humanismo e poesia cristã. Ele foi um mestre da retórica clássica, utilizando a beleza da linguagem e da poesia para expressar a busca da alma por Deus. Diferente de muitos líderes de sua era, ele possuía uma natureza sensível e muitas vezes relutante em relação ao poder, preferindo a vida contemplativa ao prestígio eclesiástico. Essa faceta de sua personalidade deixou para a história o exemplo de um líder que, embora tenha ocupado o cargo de Patriarca de Constantinopla, priorizou a integridade da verdade e a humildade pessoal, influenciando gerações de pensadores a verem a teologia não apenas como um exercício acadêmico, mas como um caminho de união mística com o divino.

Bibliografia

  1. A Santa Sé - AUDIÊNCIA GERAL (8 de Agosto de 2007)