Santa Teresinha do Menino Jesus

PUBLICADO: 22/1/2026

Santa Teresinha do Menino Jesus
Imagem de Santa Teresinha do Menino Jesus
Nascimento 2 de Janeiro de 1873. Alençon, França
Morte 30 de Setembro de 1897. Lisieux, França
Canonização 17 de Maio de 1925
Dia Festivo
Padroeiro(a) França, Padroeira Universal das Missões Católicas, Doutora da Igreja

Santa Teresa de Lisieux ou Santa Terezinha do Menino Jesus, que a Igreja celebra dia 01 de outubro, é Padroeira dos missionários e da França. A cem anos da sua morte (1897-1997), foi proclamada, por João Paulo II, Doutora da Igreja: a terceira mulher depois de Catarina de Sena e Teresa de Ávila.

Vida Pessoal

Thérèse Françoise Marie Martin nasceu em Alençon, em 2 de janeiro de 1873, de um casal de ourives, muito católicos, “dignos mais do céu do que da terra”, como Terezinha os definia.

Ela era a última de oito filhos, três dos quais morreram quando crianças. Aos quatro anos, ficando órfã de mãe, reviveu o drama do abandono, por causa da entrada progressiva de quatro de suas irmãs para o Carmelo. No entanto, recebia o carinho especial do seu pai, que a chamava “pequena rainha da França e de Navarra”, como também “a pequena órfã de Beresina”.

Por sua vez, ela também entra para o Carmelo de Lisieux, com apenas quinze anos, por especial autorização do Papa Leão XIII, após ter ido suplicá-lo em Roma: “Você vai entrar, se Deus quiser”, foi a resposta do Pontífice.

O desejo da jovem era “salvar as almas” e, sobretudo, “rezar para ajudar os sacerdotes”. Na hora de fazer a profissão dos votos religiosos ela recebeu o nome de Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face.

A pedido da Superiora, Terezinha começou, imediatamente, a escrever um diário, no qual fez algumas anotações sobre as etapas da sua vida interior. Em 1895, escreveu: “No dia 9 de junho, festa da Santíssima Trindade, recebi a graça de entender, mais do que nunca, quanto Jesus quer ser amado!”.

Após nove anos de vida religiosa, Teresa morre, com apenas 24 anos de idade, em 30 de setembro de 1897, acometida por tuberculose. [1]

Missões e Obras

Na França, no final do século XIX, difundia-se o pensamento positivista, impulsionado por grandes invenções e apoiado por ideias anticlericais e ateístas.

Por isso, a elaboração de uma espiritualidade muito original, por parte de Teresa, também chamada “teologia do Pequeno Caminho” ou “da Infância Espiritual”, assume particular importância; trata-se de uma espiritualidade, cuja pratica do amor a Deus não se baseava em grandes ações, mas em pequenos atos diários, aparentemente insignificantes.

Em sua autobiografia, Santa Teresa escreve: “Há somente uma coisa a ser feita: oferecer a Jesus as flores dos pequenos sacrifícios”. E, ainda: “Quero transmitir as pequenas ações que consegui fazer”.

Na sua elaboração original, o Diário tem um subtítulo: “História primaveril de uma florzinha branca”. No entanto, sob um aparente romanticismo, se oculta, na verdade, um caminho árduo rumo à santidade, marcado por uma forte resposta ao amor de Deus pelo homem.

Incompreendida pelas coirmãs do Carmelo, Teresa declara ter recebido “mais espinhos que rosas”, mas aceitava com paciência as injustiças e as perseguições, como também as dores e os sofrimentos da sua doença, oferecendo tudo “pelas necessidades da Igreja”, “lançar rosas sobre todos, justos e pecadores”.

Para João Paulo II e Bento XVI, a exclusividade da sua espiritualidade era a total abertura à invasão do amor de Deus, a capacidade de responder a este amor também nas “noites” do espírito: neste sentido, era irmã dos pecadores, dos distantes, dos ateus, dos desesperados; eis porque foi declarada Padroeira dos missionários. [1]

Canonização e Beatificação

Teresa de Lisieux foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925 pelo Papa Pio XI, e proclamada doutora da Igreja por João Paulo II em 1997. [2]

Nos anos 50, no século passado, o abade André Combes, - teólogo no “Institut Catholique”, na Sorbonne de Paris, e na Universidade Lateranense, em Roma, - descobriu as manipulações feitas, em boa fé, no Diário de Teresa, pelas suas próprias coirmãs, que a consideravam a pequena de casa; a doutrina espiritual e teologal da “Infância Espiritual” não se limitavam, apenas, em um princípio psicológico e sentimental, composto só de pequenas coisas. O coração da sua espiritualidade consistia mais na consciência de que o homem, mesmo na sua pequenez, acaba sendo divinizado pela Graça. Desta forma, Teresa responde aos “mestres suspeitosos”, como Feuerbach, Marx, Freud, Nietzsche. O homem-criatura, que se deixa divinizar pela invasão do amor de Deus, não é, absolutamente, “alheado”. A Cristologia e Antropologia caminham, portanto, de pari passu: Teresa antecipa, de quase um século, alguns textos do Concílio Vaticano II, de Paulo VI, e, em particular, alguns trechos da “Caritas in veritate” de Bento XVI. [1]

Milagres e Testemunhos

  • Cura de Reine Fauquet (Cegueira) - Uma menina cega, Reine Fauquet, recuperou a visão após visitar o túmulo de Santa Teresinha, relatando ter visto a santa ao seu lado, um evento comprovado por um médico e fundamental para o processo de canonização.
  • Cura de Pius Pellemans - Sofria de tuberculose pulmonar e foi curado milagrosamente no túmulo de Teresa, um dos milagres reconhecidos para sua canonização, como indicado pelo Archives du Carmel de Lisieux.
  • Cura de Maria Pellemans - Sofria de problemas gastrointestinais e foi curada após orar no túmulo de Santa Teresinha, um dos milagres para sua canonização.

Devoção

1 de outubro celebra a memória litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face ou Santa Teresa de Lisieux, conhecida no mundo todo pela “Teologia do Pequeno Caminho” ou “da Infância Espiritual”, presente na autobiografia “História de uma Alma”, publicado em 1898. [3]

E é justamente por ocasião do duplo jubileu em 2023, de 150 anos de nascimento e dos 100 anos da sua beatificação, que o Pontífice anunciou a publicação do documento solene para refletir sobre a mensagem da santa, da qual Francisco é um grande devoto, tanto que dedicou uma das catequeses da Audiência Geral sobre a paixão pela evangelização a ela. No voo de volta da viagem ao Brasil em 2013, ao ser interpelado por jornalistas sobre o que carregava na pasta preta que costumava levar nas viagens apostólicas, revelou tratar-se de um livro sobre Santa Teresinha.

Uma das santas mais populares da história da Igreja tem inclusive mobilizado brasileiros em peregrinação ao seu caminho de santidade na França. [2]

Legado

Teresa teve uma vida marcada por sofrimentos, como o falecimento da mãe aos quatro anos e a tuberculose aos vinte e um, mas que a fizeram se aproximar ainda mais de Deus e a crescer espiritualmente. Santa Teresinha nos ensina que a santidade está nas pequenas coisas, nas atividades cotidianas que fazemos com amor e que Deus chama todos à santidade, inclusive as pequenas almas.

Assim Teresa, consciente da própria fragilidade, confiou-se à divina Providência para que, contando unicamente com a sua ajuda, pudesse alcançar a perfeita santidade da vida, mesmo por amargas dificuldades, tendo decidido lutar por isso com a abdicação total e alegre da própria vontade.

Vamos hoje pedir a intercessão desta grande santa para que possamos colocar amor em tudo o que fazemos, em especial nos sacrifícios e obrigações cotidianas. E não nos esqueçamos que as provações são fontes de Graça e crescimento espiritual em nossas vidas! [3]

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Teresa do Menino Jesus, virgem carmelita, doutora da Igreja, padroeira das Missões (01 outubro)
  2. Vatican News - Papa Francisco, devoto de Santa Teresinha, prepara Exortação Apostólica sobre padroeira das missões (05 outubro 2023)
  3. Vatican News - Santa Teresinha do Menino Jesus, exemplo de simplicidade (01 outubro 2022)