Santo Anselmo de Cantuária

PUBLICADO: 16/5/2026

Santo Anselmo de Cantuária
Imagem de Santo Anselmo de Cantuária
Nascimento século XI d.C. Aosta, Itália
Morte 21 de Abril de 1109. Cantuária, Reino Unido
Canonização 1163 d.C.
Dia Festivo
Padroeiro(a) Teólogos, Filósofos, Estudantes

Anselmo nasceu em Aosta, no século XI, e viveu entre a França e a Inglaterra. Foi um monge beneditino e arcebispo de Cantuária. Fundador da Teologia escolástica, também tinha o carisma de um grande pastor de almas. Em 1720, foi proclamado Doutor da Igreja e é celebrado pela Igreja em 21 de abril.

Vida Pessoal

Santo Anselmo nasceu em 1033 (ou no início de 1034) em Aosta, primogénito de uma família nobre. O pai era homem rude, dedicado aos prazeres da vida e dissipador dos seus bens; a mãe, ao contrário, era mulher de costumes excelsos e de profunda religiosidade (cf. Eadmero, Vita s. Anselmi, pl 159, col. 49). Foi ela que se ocupou da primeira formação humana e religiosa do filho, que depois confiou aos Beneditinos de um priorado de Aosta. Anselmo, que quando era criança — como narra o seu biógrafo — imaginava a morada do bom Deus entre os cumes altos e nevados dos Alpes, uma noite sonhou que tinha sido convidado para esta mansão maravilhosa pelo próprio Deus, que se entreteve prolongada e afavelmente com ele e, no final ofereceu-lhe de comer "um pão extremamente cândido" (Ibid., col. 51). Este sonho deixou-lhe a convicção de ser chamado a cumprir uma alta missão. Com quinze anos de idade, pediu para ser admitido na Ordem beneditina, mas o pai opôs-se com toda a sua autoridade e não cedeu sequer quando o filho, gravemente enfermo e sentindo-se próximo da morte, implorou o hábito religioso como conforto supremo. Depois da sua cura e da morte prematura da mãe, Anselmo atravessou um período de dissipação moral: descuidou os estudos e, dominado pelas paixões terrenas, tornou-se surdo ao chamamento de Deus. Saiu de casa e começou a viajar pela França em busca de novas experiências. Depois de três anos, tendo chegado à Normandia, foi à Abadia beneditina de Bec, atraído pela fama de Lanfranco de Pavia, prior do mosteiro. Para ele foi um encontro providencial e decisivo para o resto da sua vida. Com efeito, sob a guia de Lanfranco, Anselmo retomou vigorosamente os estudos e, em breve tempo, tornou-se não apenas o pupilo predilecto, mas também o confidente do mestre. A sua vocação monástica reacendeu-se e, depois de uma avaliação atenta, com 27 anos de idade, entrou na Ordem monástica e foi ordenado sacerdote. A ascese e o estudo abriram-lhe novos horizontes, fazendo-lhe reencontrar, a nível muito mais elevado, aquela familiaridade com Deus, que ele tivera quando era criança.

Quando, em 1063, Lanfranco se tornou abade de Caen, Anselmo, após apenas três anos de vida monástica, foi nomeado prior do mosteiro de Bec e mestre da escola claustral, revelando dotes de educador requintado. Não gostava dos métodos autoritários; comparava os jovens com plantas pequenas que se desenvolvem melhor se não permanecem fechadas na estufa, e concedia-lhes uma liberdade "sã". Era muito exigente consigo mesmo e com os outros na observância monástica, mas em vez de impor a disciplina, empenhava-se a fazê-la seguir com a persuasão. Quando faleceu o abade Herluino, fundador da Abadia de Bec, Anselmo foi eleito unanimemente seu sucessor: corria o mês de fevereiro de 1079. Entretanto, numerosos monges tinham sido chamados para Cantuária, a fim de levar aos irmãos da outra margem do Canal da Mancha a renovação em curso no continente. A sua obra foi bem aceite, a tal ponto que Lanfranco de Pavia, abade de Caen, se tornou o novo Arcebispo de Cantuária e pediu a Anselmo que transcorresse um certo período com ele para instruir os monges e para o ajudar na difícil situação em que se encontrava a sua comunidade eclesial, depois da invasão dos Normandos. A permanência de Anselmo revelou-se muito fecunda; ele conquistou simpatia e estima, a tal ponto que, com a morte de Lanfranco, foi escolhido para lhe suceder na sede arquiepiscopal de Cantuária. Recebeu a solene consagração episcopal em dezembro de 1093.

Anselmo comprometeu-se imediatamente numa luta enérgica pela liberdade da Igreja, apoiando com coragem a independência do poder espiritual em relação ao temporal. Defendeu a Igreja contra as ingerências indevidas das autoridades políticas, sobretudo dos reis Guilherme, o Vermelho, e Henrique i, encontrando encorajamento e apoio no Romano Pontífice, a quem Anselmo demonstrou sempre uma adesão intrépida e cordial. Esta fidelidade custou-lhe, em 1103, também a amargura do exílio da sua sede de Cantuária. E somente quando, em 1106, o rei Henrique I renunciou à pretensão de conferir as investiduras eclesiásticas, assim como à cobrança dos impostos e à confiscação dos bens da Igreja, Anselmo pôde regressar à Inglaterra, onde foi recebido festivamente pelo clero e pelo povo. Assim, concluiu-se felizmente a longa luta por ele empreendida com as armas da perseverança, da determinação e da bondade. Este santo Arcebispo, que suscitava tanta admiração ao seu redor onde quer que fosse, dedicou os últimos anos da sua vida principalmente à formação moral do clero e à pesquisa intelectual a respeito de temas teológicos. Faleceu no dia 21 de abril de 1109, acompanhado pelas palavras do Evangelho proclamado na Santa Missa daquele dia: "Vós estivestes sempre junto de mim nas minhas provações, e Eu disponho a vosso favor do Reino, como meu Pai dispõe dele, a fim de que comais e bebais à minha mesa..." (Lc 22, 28-30). O sonho daquele banquete misterioso, que quando era criança tivera precisamente no início do seu caminho espiritual, encontrava assim a sua realização. Jesus, que o tinha convidado para se sentar à sua mesa, acolheu Santo Anselmo na sua morte, no reino eterno do Pai. [1]

Milagres e Testemunhos

  • Curas no Túmulo - Relatos da época medieval registraram diversas curas físicas e milagres que teriam acontecido junto ao seu túmulo na Catedral de Cantuária, o que ajudou a espalhar a sua fama de santidade por toda a cristandade.

Devoção

Como fundador da teologia escolástica, a tradição cristã atribuiu-lhe o título de "Doutor Magnífico" porque foi magnífico seu desejo de aprofundar os mistérios divinos, através de três etapas: a fé, como dom gratuito de Deus; a experiência ou encarnação da Palavra na vida diária; e o conhecimento ou intuição contemplativa. De fato, Anselmo afirma: "Senhor, eu não tento penetrar na vossa profundeza, porque nem posso comparar meu intelecto com ela. Porém, queria entender, pelo menos até certo ponto, a vossa verdade, que meu coração acredita e ama. Eu não procuro entender para acreditar, mas acredito para entender."

As principais obras de Anselmo - o Monologion (Monólogo) e o Proslogion (Colóquio), que demonstram a existência de Deus, respectivamente, a “posteriori” e a “priori” – pretendem reafirmar que Deus é "o Ser do qual não se pode imaginar um maior".

Por outro lado, a grande coleção de epístolas de Anselmo revela a sua atuação e o seu pensamento político, sempre inspirados no seu "amor pela verdade", pela retidão e pela honestidade episcopal, longe dos condicionamentos temporais e dos oportunismos.

De fato, o Arcebispo de Cantuária escreve: "Prefiro discordar de homens que, de acordo com eles, discordam de Deus", colocando em evidência os traços do governante justo, que visa o bem comum e não seu interesse pessoal.

Em 1163, o Papa Alexandre III concedeu ao falecido Anselmo "a elevação do corpo", um ato que, naquela época, correspondia à canonização. Enfim, em 1720, o Papa Clemente XI o proclamou "Doutor da Igreja". [2]

Legado

"Deus, rogo-vos, desejo conhecer-vos, quero amar-vos e poder regozijar-me em Vós. E se nesta vida não sou capaz disto na medida plena, que eu possa pelo menos progredir cada dia, até alcançar a plenitude" (Proslogion, cap. 14). Esta oração permite compreender a alma mística deste grande santo da época medieval, fundador da teologia escolástica, a quem a tradição cristã atribuiu o título de "Doutor Magnífico", porque cultivou um desejo intenso de aprofundar os Mistérios divinos, porém na plena consciência de que o caminho de busca de Deus nunca termina, pelo menos nesta terra. A clareza e o rigor lógico do seu pensamento tiveram sempre como finalidade "elevar a mente à contemplação de Deus" (Ibid., Proemium). Ele afirma claramente que quem tem a intenção de fazer teologia não pode contar somente com a sua inteligência, mas deve cultivar ao mesmo tempo uma profunda experiência de fé. A actividade do teólogo, segundo Santo Anselmo, desenvolve-se assim em três fases: a fé, dom gratuito de Deus, a acolher com humildade; a experiência, que consiste em encarnar a palavra de Deus na própria existência quotidiana; e, portanto, o verdadeiro conhecimento, que jamais é fruto de raciocínios assépticos, mas sim de uma intuição contemplativa. A este propósito, parecem mais úteis do que nunca também hoje, para uma investigação teológica sadia e para quem quer que deseje aprofundar as verdades da fé, as suas célebres palavras: "Não tento, Senhor, penetrar a vossa profundidade, porque não posso sequer de longe comparar com ela o meu intelecto; mas desejo entender, pelo menos até um certo ponto, a vossa verdade, em que o meu coração crê e ama. Com efeito, não procuro compreender para crer, mas creio para compreender" (Ibid., 1).

Caros irmãos e irmãs, o amor pela verdade e a sede constante de Deus, que assinalaram toda a existência de Santo Anselmo, sejam um estímulo para cada cristão a procurar, sem nunca se cansar, uma união cada vez mais íntima com Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Além disso, o zelo repleto de coragem que distinguiu a sua obra pastoral e que às vezes lhe causou incompreensões, amarguras e até o exílio, seja um encorajamento para os Pastores, para as pessoas consagradas e para todos os fiéis, a amar a Igreja de Cristo, a rezar, a trabalhar e a sofrer por ela, sem nunca a abandonar nem a trair. Conceda-nos esta graça à Virgem Mãe de Deus, por quem Santo Anselmo nutriu devoção terna e filial. "Maria, o meu coração quer amar-te — escreve Santo Anselmo — e os meus lábios desejam ardentemente louvar-te." [1]

Bibliografia

  1. A Santa Sé - AUDIÊNCIA GERAL (23 de Setembro de 2009)
  2. Vatican News - S. Anselmo, arcebispo de Cantuária e doutor da Igreja (21 abril)