| Santo Elias, O Profeta | |
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| Nascimento | século IX a.C. Tisbe, Gileade |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Carmelitas, Contra Secas e Tempestades |
O nome Elias significa "O Senhor é meu Deus". Este profeta, do século IX a.C., viveu em Israel, onde dedicou a sua vida a despertar no Povo o reconhecimento do Senhor como único Deus, sem se deixar enganar pela idolatria.
Vida Pessoal
Elias nasceu em Tisbe, no século IX a.C., na época do rei Acabe. Dedicou a sua existência para distanciar o povo da adoração dos ídolos e trazê-lo de volta ao verdadeiro e único Deus, coerente com o nome que lhe foi dado: Elias, de fato, significa "O Senhor é meu Deus".
Elias, homem virtuoso e austero, usava um manto de pele de camelo, sobre um simples avental, amarrado na cintura, prefigurando, oito séculos antes, o profeta João Batista. Com um coração de guerreiro e uma inteligência refinada, unia, em sua alma, o fogo ardente da fé com o zelo pelo Senhor, tanto que São Crisóstomo o definiu como "anjo da terra e homem do Céu". Séculos depois, o Catecismo da Igreja Católica o apresentou como modelo de vida cristã e de paixão por Deus, "Pai dos Profetas da geração dos que buscam a Deus, que buscam o seu Rosto" (CCC, 2582).
Um exemplo extraordinário da força profética de Elias encontra-se no primeiro Livro dos Reis (cap. 18), que narra: “nos dias do rei Acabe, Israel se sujeitava à sedução da idolatria”; de fato, adorava Baal porque achava que fazia chover e, portanto, ajudava a fertilidade dos campos, o gado e o gênero humano. Para desmascarar esta crença enganosa, Elias convocou o povo no Monte Carmelo e o colocou diante de uma escolha: seguir o Senhor ou seguir Baal. Assim, o profeta convidou mais de 400 idólatras a um confronto: cada um devia oferecer um sacrifício e rezar para que seu deus se manifestasse. Quem respondeu, de modo inequívoco, foi o Senhor "Deus de Abraão, de Isaque e de Israel": Ele aceitou a oferta de sacrifício, preparada por Elias, sobre um altar, constituído de doze pedras, “segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, que o Senhor havia chamado Israel". Assim, diante da evidente Verdade, o coração do povo se converteu. Ao contrário, Baal ficou calado e impotente, porque – segundo o ensinamento de Elias – "a verdadeira adoração a Deus é oferecer-se a Deus e aos homens; a verdadeira adoração é o amor, que não destrói, mas renova e transforma". (Bento XVI, Audiência geral, em 15 de junho de 2011).
O profeta, porém, teve que enfrentar uma nova provação: ele, que lutou tanto pela fé, teve que escapar da ira da rainha Jezabel, esposa idólatra de Acabe, que queria a sua morte. Exausto e atemorizado, Elias pediu a Deus para morrer, caindo em um sono ininterrupto. No entanto, um anjo o despertou e lhe pediu para subir ao monte Oreb para um encontro com o Senhor. O profeta obedeceu e caminhou, por 40 dias e 40 noites, até chegar à meta: uma caminhada que representa a metáfora de uma peregrinação e a purificação do coração rumo à experiência de Deus.
Segundo as perspectivas, o encontro com o Senhor ocorreu, mas não de modo extraordinário: Deus se manifestou em forma de uma brisa leve, como um "silêncio sonoro delicado" - como o Papa Francisco explicou na homilia da Missa, na Casa Santa Marta, em 10 de junho de 2016 - exortando Elias a não desanimar, mas a voltar atrás para cumprir a sua missão. Então, o profeta cobriu o rosto com as mãos, em sinal de adoração e humildade, e obedeceu ao pedido de Deus, porque entendeu o seu valor: o valor da provação, da obediência e da perseverança.
Daí, Elias desafiou, novamente, Acabe e Jezabel, que haviam invadido a terra de um camponês, profetizando terríveis desventuras, se não se arrependessem. O profeta também aliviou o sofrimento e a miséria de uma viúva, dando-lhe de comer e curando seu filho em fim de vida.
Quando Elias cumpriu a sua missão, desapareceu, subindo ao céu em uma carruagem de fogo, entrando na infinidade daquele Deus, que havia servido com tanta paixão. Seu manto permaneceu na terra, destinado ao discípulo Eliseu, como sinal de investidura.
Hoje, a Ordem religiosa dos Eremitas do Monte Carmelo, representa este grande Profeta, em seu brasão, em forma de escudo: com um braço, segura uma espada de fogo e uma fita com as palavras "Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercitum", ou seja, "repleto de zelo pelo Deus dos exércitos". [1]
Milagres e Testemunhos
- A seca de três anos - Elias orou e não choveu em Israel. Deus usou corvos para alimentá-lo durante esse tempo.
- A farinha e o azeite multiplicados - A farinha e o azeite de uma viúva nunca acabaram. Isso durou até a chuva voltar.
- Ressurreição do filho da viúva - O filho da viúva morreu. Elias orou sobre ele e o menino voltou à vida.
- Fogo do céu no Monte Carmelo - Elias desafiou os profetas do deus Baal. Deus mandou fogo do céu para queimar o seu altar.
- A chuva voltou - Depois do fogo, Elias orou e uma forte chuva caiu. Isso acabou com a seca.
- Águas do Rio Jordão divididas - Elias bateu com a sua capa nas águas do Rio Jordão. O rio se abriu para ele e Eliseu passarem a pé.
- Subida ao céu em um redemoinho - Elias não morreu. Ele foi levado vivo para o céu em um carro de fogo.
Legado
o legado do profeta Elias é centrado no seu papel indispensável como o instrumento divino para levar o povo de Israel de volta à conversão. Em uma época em que a nação se encontrava profundamente dividida entre o culto ao Senhor e a adoração a Baal, o legado de Elias manifesta-se não pelo poder político ou militar, mas pela força de seu ensinamento, de sua pregação e, fundamentalmente, pela sua intercessão orante.
O ponto alto de sua missão ocorre no confronto espiritual do Monte Carmelo (1Rs 18, 20-40). Ali, o texto destaca que o grande objetivo de Elias não era vencer uma disputa ou humilhar seus opositores, mas sim curar o coração de seu povo, que coxeba entre dois caminhos. Através de sua oração confiante e humilde, Elias clama para que Deus se manifeste e mostre que Ele é o único e verdadeiro Senhor, tocando o âmago das pessoas e operando um milagre de conversão interior e reconciliação.
O desfecho desse episódio sela o verdadeiro impacto do profeta: ao ver o fogo do Senhor consumir o holocausto, o povo reconhece imediatamente a soberania divina, caindo com o rosto em terra e exclamando "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!". Assim, o legado que Bento XVI ressalta na figura de Elias é o de ser o "homem de oração" que atua como uma ponte para restaurar a fidelidade a Deus, demonstrando que a oração autêntica é aquela que busca purificar os corações e reacender a verdadeira fé. [2]
