Santo Hilário de Poitiers

PUBLICADO: 13/7/2026

Santo Hilário de Poitiers
Imagem de Santo Hilário de Poitiers
Nascimento século IV d.C. Poitiers, França
Morte 367 d.C. Poitiers, França
Dia Festivo
Padroeiro(a) Combatentes de Heresias, Teólogos, Advogados

Filósofo e literato pagão, de família rica, Hilário converteu-se ao cristianismo no ano 345. Como Bispo de Poitiers, opôs-se à heresia ariana, que contestava a dupla natureza de Jesus: divina e humana. Por defender a verdade, até arcou com o exílio.

Vida Pessoal

As notícias sobre a vida deste verdadeiro Defensor Fidei são poucas, mas abundantes as obras teológicas que nos deixou.

Nascido em uma família abastada gálico-romana e pagã, Hilário recebeu uma sólida formação literária e filosófica. Entretanto, só depois da sua conversão ao cristianismo, – como ele mesmo declarou em uma das suas obras – conseguiu entender o sentido do destino do homem. Com a leitura do prólogo do Evangelho de São João, começou a dar orientação à sua busca interior.

Já adulto, casado e pai de uma filha, Hilário recebeu o Batismo e, entre os anos 353 e 354, foi eleito Bispo de Poitiers. Santo Hilário de Poitiers faleceu no ano 367.

Em 2007, continuando o ciclo de catequeses sobre os Padres Apostólicos, o Papa Bento XVI deteve-se sobre a figura de Hilário de Poitiers, resumindo o núcleo da sua doutrina nesta fórmula do Santo: “Deus não sabe ser nada mais, senão amor; não sabe ser outra coisa, senão Pai. Quem ama não é invejoso; quem é Pai o é na sua totalidade. Este nome não admite acordos, como se Deus fosse Pai, em certos aspectos, e não em outros”. [1]

Missões e Obras

O período histórico, em que Hilário viveu, era caracterizado por um pluralismo religioso e cultural, que, com pesadas polêmicas, colocava em risco o núcleo central da fé cristã. De modo particular, as doutrinas de Ário, Ebion e Fotino – só para citar algumas – encontraram terreno fértil, tanto no Oriente quanto no Ocidente, por difundirem heresias trinitárias e cristológicas, que comprometiam o núcleo central da fé cristã.

Com coragem e profunda competência, Hilário começou a sua “luta” contra a polêmica trinitária e, de modo especial, contra o arianismo. Por sua parte, ele afirmava que Cristo podia ser o salvador dos homens, somente como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Neste clima incandescente, Hilário pagou com o exílio seu compromisso pelo restabelecimento da ordem, no pensamento teológico, e pelo retorno da verdade.

Durante o século IV, sob o império de Constâncio, filho do imperador Constantino o Grande, Hilário escreveu uma súplica ao imperador – Liber II ad Constantium – pedindo-lhe que se defendesse, publicamente, na sua presença, das acusações que Saturnino de Arles lhe havia imputado, injustamente, considerando-o traidor da verdadeira fé evangélica, que, como tal, o obrigava ao exílio na Frígia – atual Turquia – por quatro anos.

Subornado pelos arianos, que queriam se livrar de Hilário, Constantino o manda de volta a Poitiers, onde, em vez disso, foi acolhido com triunfo. Ali, retomou suas atividades pastorais, contando com a colaboração do futuro Bispo de Tours, São Martinho, que, sob a direção de Hilário, fundou, em Ligugé, o mosteiro mais antigo da Gália, com o objetivo de deter os efeitos da heresia.

Nos últimos anos de vida, Hilário compôs um volume, com comentários de 58 Salmos, como também escritos exegético-teológicos e hinos de teor doutrinal. Entre as suas obras, destaca-se o Comentário sobre o Evangelho de Mateus, o mais antigo em língua latina. Suas obras foram publicadas por Erasmo de Rotterdam, em Basileia, em 1523, 1526 e 1528. [1]

Milagres e Testemunhos

  • Amor de Pai - Olhando sua filha adolescente, pura e desapegada das coisas da terra, Hilário pediu a Deus que, se ela um dia manchasse sua túnica batismal, Ele a levasse antes para Si. O pedido foi aceito quase imediatamente. Abra faleceu docemente nos braços do pai e é hoje invocada como santa em Poitiers.

Legado

A fidelidade a Deus é um dom da sua graça. Por isso Santo Hilário pede, no fim do seu tratado sobre a Trindade, para se poder manter sempre fiel à fé do batismo. É uma característica do livro De Trinitate: a reflexão transforma-se em oração e a oração volta a ser reflexão. Todo o livro é um diálogo com Deus.

"Faz, ó Senhor, recita Hilário de maneira inspirada, para que eu me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo da minha regeneração, quando fui batizado no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Que eu te adore, nosso Pai, e juntamente contigo e com o teu Filho; que eu mereça o teu Espírito Santo, o qual procede de ti mediante o teu Unigénito... Amém" (De Trinitate 12, 57).] [2]

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Hilário, bispo de Poitiers e doutor da Igreja (13 janeiro)
  2. A Santa Sé - AUDIÊNCIA GERAL (10 de Outubro de 2007)