São João d'Ávila

PUBLICADO: 2/5/2026

São João d'Ávila
Imagem de São João d'Ávila
Nascimento 6 de Janeiro de 1499. Almodóvar del Campo, Espanha
Morte 10 de Maio de 1569. Montilla, Espanha
Canonização 31 de Maio de 1970
Dia Festivo
Padroeiro(a) Padres Seculares Espanhóis

Sacerdote espanhol, de origem judaica, João de Ávila viveu no século XVI, um período de grandes reformas. Era místico, grande pregador e conselheiro de muitos Santos contemporâneos, entre os quais Santo Inácio de Loyola. O Papa Bento XVI o proclamou Doutor da Igreja em 2012.

Vida Pessoal

João de Ávila viveu na primeira metade do século XVI. Nasceu a 6 de janeiro de 1499, ou 1500, em Almodóvar del Campo (Ciudad Real, diocese de Toledo), filho único de Alonso Ávila e de Catalina Gijón, pais muito cristãos e com uma elevada posição económica e social. Com 14 anos foi estudar Direito na prestigiosa Universidade de Salamanca; porém, abandonou os estudos quando concluiu o quarto curso porque, por causa de uma experiência muito profunda de conversão, decidiu regressar ao domicílio familiar para se dedicar à meditação e à oração.

Com o propósito de se tornar sacerdote, em 1520 foi estudar Artes e Teologia na Universidade de Alcalá de Henares, aberta às grandes escolas teológicas dessa época e à corrente do humanismo renascentista. Em 1526, recebeu a ordenação presbiteral e celebrou a primeira Missa solene na paróquia do seu povoado e, com a finalidade de partir como missionário para as Índias, decidiu distribuir a sua rica herança entre os mais necessitados. Depois, de acordo com aquele que viria a ser o primeiro Bispo de Tlaxcala, na Nova Espanha (México), foi para Sevilha para esperar o momento de embarcar rumo ao Novo Mundo.

Enquanto se preparava para viajar, dedicou-se a pregar na cidade e nas localidades circunvizinhas. Ali encontrou-se com o venerável Servo de Deus, Fernando de Contreras, doutor em Alcalá e prestigioso catequista. Ele, entusiasmado com o testemunho de vida e com a oratória do jovem sacerdote João, conseguiu que o arcebispo sevilhano o levasse a desistir da sua ideia de partir para a América e a ficar na Andaluzia e permanecesse em Sevilha, compartilhando casa, pobreza e vida de oração com Contreras e, enquanto se dedicava à pregação e à direcção espiritual, continuou os estudos de Teologia no Colégio de S. Tomás, onde talvez tenha obtido o título de Mestre.

No entanto, em 1531, por causa de uma sua pregação mal-entendida, foi aprisionado. No cárcere, começou a escrever a primeira versão do Audi, filia. Durante aqueles anos, recebeu a graça de penetrar com profundidade singular o mistério do amor de Deus e o grande benefício feito à humanidade pelo Redentor Jesus Cristo. Doravante será este o eixo da sua vida espiritual e o tema central da sua pregação.

Tendo sido emitida a sentença absolutória em 1533, continuou a pregar com notável êxito diante do povo e das autoridades, mas preferiu transferir-se para Córdova, incardinando-se na diocese. Pouco depois, em 1536, o arcebispo de Granada chamou-o para obter dele um conselho, e ali, além de continuar a sua obra de evangelização, completou os estudos nessa Universidade.

Bom conhecedor do seu tempo e com uma formação académica excelente, João de Ávila foi um ilustre teólogo e um humanista verdadeiro. Propôs a criação de um Tribunal Internacional de arbitragem para evitar as guerras e foi também capaz de inventar e patentear algumas obras de engenharia. No entanto, vivendo na pobreza, centrou a sua atividade em acalentar a vida cristã de quantos comprazidos ouviam os seus sermões e o seguiam onde quer que fosse. Especialmente preocupado pela educação e pela instrução das crianças e dos jovens, sobretudo daqueles que se preparavam para o sacerdócio, fundou vários colégios menores e maiores que, depois de Trento, se transformariam em seminários conciliares. Fundou, outrossim, a Universidade de Baeza (Jaén), importante ponto de referência durante séculos para a formação qualificada de clérigos e seculares.

Depois de ter percorrido a Andaluzia e outras regiões do centro e do oeste da Espanha, pregando e orando, já enfermo, em 1554 retirou-se definitivamente numa casa simples em Montilla (Córdova), onde exerceu o seu apostolado elaborando algumas das suas obras através de uma correspondência abundante. O arcebispo de Granada quis levá-lo como assessor teólogo para as duas últimas sessões do Concílio de Trento; dado que não podia viajar por falta de saúde, redigiu os Memoriales que tiveram grande influência nesta reunião eclesial.

Acompanhado pelos seus discípulos e amigos e padecendo dores agudíssimas, com um Crucifixo nas mãos, entregou a sua alma ao Senhor na sua casa humilde de Montilla na manhã de 10 de maio de 1569. [1]

Canonização e Beatificação

Considerando a sua indubitável e crescente fama de santidade, a Causa de beatificação e canonização do Mestre João de Ávila foi iniciada na arquidiocese de Toledo, em 1623. Foram interrogadas imediatamente as testemunhas de Almodóvar del Campo e de Montilla, lugares de nascimento e de morte do Servo de Deus, e em Córdova, Granada, Jaén, Baeza e Andújar. Mas por vários problemas, a Causa permaneceu interrompida até 1731, ano em que o arcebispo de Toledo enviou a Roma os processos informativos já realizados. Com o decreto de 3 de abril de 1742, o Papa Bento XIV aprovou os escritos e elogiou a doutrina do Mestre Ávila, e a 8 de fevereiro de 1759 Clemente XIII declarou que tinha praticado as virtudes em medida heroica. A beatificação teve lugar, por obra do Papa Leão XIII, a 6 de abril de 1894 e a canonização, por obra do Papa Paulo VI, no dia 31 de maio de 1970. Considerando a importância da sua figura sacerdotal, em 1946 Pio XII proclamou-o Padroeiro do clero secular na Espanha.

O título de "Mestre", com o qual durante toda a sua vida e ao longo dos séculos foi conhecido João de Ávila, fez com que no início da sua canonização fosse concebida a possibilidade de o nomear Doutor. Assim, a pedido do cardeal Benjamín de Arriba y Castro, arcebispo de Tarragona, a XII Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola (julho de 1970) decidiu pedir à Santa Sé que o declarasse Doutor da Igreja Universal. Seguiram-se numerosas instâncias, particularmente por ocasião do 25º aniversário da sua Canonização (1995) e do V centenário do seu nascimento (1999).

A declaração de Doutor da Igreja Universal de um santo pressupõe o reconhecimento de um carisma de sabedoria conferido pelo Espírito Santo para o bem da Igreja e comprovado pela influência benéfica do seu ensinamento sobre o povo de Deus, fatos bem evidentes na pessoa e na obra de João de Ávila. Ele foi interpelado com muita frequência pelos seus contemporâneos como Mestre de teologia, discernidor de espíritos e diretor espiritual. Acorriam a ele em busca de ajuda e de orientação grandes santos e pecadores declarados, sábios e ignorantes, pobres e ricos, e à sua fama de conselheiro uniu-se tanto a sua intervenção concreta em diálogos notáveis como a sua obra diária em vista de melhorar a vida de fé e de compreensão da mensagem cristã de quantos o procuravam solícitos para ouvir os seus ensinamentos. Também os bispos e os religiosos doutos e bem preparados se dirigiam a ele como conselheiro, pregador e teólogo, exercendo uma influência notável sobre quantos entravam em contato com ele e sobre os ambientes que frequentava. [1]

Milagres e Testemunhos

  • Poder da Pregação - Relatos históricos destacam que ele "arrebatava multidões" e seus discursos causavam conversões profundas em Granada e outras cidades.
  • Vida de Virtude e Doença - Passou os últimos 16 anos da vida gravemente doente e quase cego, vivendo a dor com paciência, o que foi considerado por muitos como um "martírio" constante.

Legado

A doutrina do Mestre João de Ávila contém, indubitavelmente, uma mensagem segura e duradoura, e é capaz de contribuir para confirmar e aprofundar o depósito da fé, iluminando até novas perspectivas doutrinais e de vida. Atendo-se ao magistério pontifício, a sua atualidade é evidente, o que comprova que a sua eminens doctrina constitui um carisma autêntico, dom do Espírito Santo à Igreja de ontem e de hoje.

Em 2002, a Conferência Episcopal Espanhola tomou conhecimento do fato que o Estudo recapitulativo sobre a doutrina eminente reconhecida nas obras de São João de Ávila, da Congregação para a Doutrina da Fé, se concluía de modo claramente afirmativo, e em 2003 um número consistente de Senhores Cardeais, Arcebispos e Bispos, Presidentes de Conferências Episcopais, Superiores-Gerais de Institutos de vida consagrada, Responsáveis de Asociações e Movimentos eclesiais, Universidades e outras instituições, além de pessoas de relevo individualmente, uniram-se à súplica da Conferência Episcopal Espanhola através de Cartas Postulatórias, que manifestavam ao Papa João Paulo II o interesse e a oportunidade do título de Doutor a São João de Ávila.

Depois de restituir o processo à Congregação para as Causas dos Santos e de nomear um Relator para esta Causa, foi necessário elaborar a correspondente Positio. Após a conclusão deste trabalho, o Presidente e o Secretário da Conferência Episcopal Espanhola, juntamente com o Presidente da Junta Pró-Doutorado e com a Postuladora da Causa, assinaram, a 10 de dezembro de 2009, a Súplica definitiva (Supplex libellus) do título de Doutor para o Mestre João de Ávila. No dia 18 de Dezembro de 2010 realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos da mencionada Congregação, relativo ao título de Doutor ao Santo Mestre. Os votos foram afirmativos. A 3 de maio de 2011, a Sessão Plenária de Cardeais e Bispos membros da Congregação decidiu, com voto unanimemente afirmativo, propor-nos a declaração de São João de Ávila, se assim o desejássemos, como Doutor da Igreja Universal. A 20 de agosto de 2011, em Madrid, durante a Jornada Mundial da Juventude, anunciamos ao Povo de Deus: "Próximamente declararei São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal". A 27 de Maio de 2012, Domingo de Pentecostes, tivemos a alegria de anunciar na Praça de São Pedro, à multidão de peregrinos do mundo inteiro ali reunidos: "O Espírito, que falou por meio dos profetas, com os dons da sabedoria e da ciência continua a inspirar mulheres e homens que se comprometem na busca da verdade, propondo caminhos originais de conhecimento e de aprofundamento do mistério de Deus, do homem e do mundo." [1]

Bibliografia

  1. A Santa Sé - São João de Ávila, sacerdote diocesano, é proclamado Doutor da Igreja universal (07/10/2012)