São Joaquim

PUBLICADO: 28/1/2026

São Joaquim
Imagem de São Joaquim
Nascimento século I a.C.
Dia Festivo
Padroeiro(a) Avós, Família, Fertilidade

Os pais de Maria e avós de Jesus, São Joaquim e Sant’Ana, são celebrados juntos, no dia 26 de julho, a partir de 1969, após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Embora seus nomes não sejam mencionados nas Sagradas Escrituras, foram transmitidos por uma antiga tradição cristã.

Vida Pessoal

Sobre Joaquim e Ana, pais de Maria, não há nenhuma referência na Bíblia e tampouco notícias certas; as que chegaram até nós, hoje, são extraídas de textos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho do pseudo Mateus, além da tradição.

Segundo a tradição, Joaquim era um homem virtuoso e muito rico, da estirpe de Davi, que costumava oferecer parte do ganho dos seus bens ao povo e, outra parte, em sacrifício a Deus. Ambos moravam em Jerusalém.

Quando se casaram, Joaquim e Ana não tiveram filhos por mais de vinte anos. Não gerar filhos, para os judeus daquela época, era sinal da falta de bênção e da graça de Deus. Porém, certo dia, ao levar suas ofertas ao Templo, Joaquim foi repreendido por um homem, chamado Ruben (talvez fosse sacerdote ou escriba): pelo fato de não procriar, em sua opinião, ele não tinha o direito de apresentar as suas ofertas.

Humilhado e transtornado com aquelas palavras, Joaquim decidiu retirar-se para o deserto e, durante quarenta dias e quarenta noites, suplicou a Deus, entre lágrimas e jejuns, que lhe desse descendentes.

As súplicas de Joaquim e Ana foram atendidas lá no alto. Assim, um anjo apareceu a ambos, separadamente, avisando-lhes que estavam para se tornar pais. A encontro entre os dois, na porta de casa, após o anúncio, foi enriquecido com detalhes lendários. O beijo, que os dois esposos trocaram, teria ocorrido diante da Porta Áurea de Jerusalém, lugar onde, segundo a tradição judaica, a presença divina teria se manifestado, como também o advento do Messias.

A iconografia deste beijo, diante da famosa Porta, teve grandes dimensões: os cristãos acreditavam que Jesus teria entrado por ali na Cidade Santa, no Domingo de Ramos. Meses depois do retorno de Joaquim, Ana deu à luz a Maria. A criança foi criada com o cuidado carinhoso do pai e a atenção amorosa da mãe, na casa situada perto da piscina de Betzaeda. Ali, no século XII, os Cruzados construíram uma igreja, que ainda existe, dedicada a Ana, que ensinou as artes domésticas à filha.

Quando Maria completou 3 anos, Joaquim e Ana, em sinal de agradecimento a Deus, levaram-na ao Templo, para consagrá-la ao seu serviço, conforme haviam prometido em suas orações. Os textos apócrifos não fazem outras referências sobre Joaquim, [1]

Milagres e Testemunhos

  • A Promessa e o Anúncio - Joaquim, homem justo e rico, sofreu humilhações por não ter filhos. Um anjo apareceu a ele e a Ana, anunciando que Deus atenderia suas súplicas e que eles teriam uma filha que traria alegria ao mundo.
  • A Imaculada Conceição - O milagre reside não apenas na superação da esterilidade, mas na concepção de Maria, que foi preparada para ser a Mãe de Deus, livre do pecado original desde o primeiro instante no ventre de Ana.
  • Encontro na Porta Áurea - A tradição narra que Joaquim, após receber a notícia, encontrou-se com Ana na Porta Áurea de Jerusalém, um momento simbólico e milagroso da concepção.
  • A Consagração - Em gratidão, Joaquim e Ana cumpriram o voto de consagrar sua filha, Maria, ao Templo aos três anos de idade.

Devoção

O culto aos avós de Jesus, desenvolveu-se, primeiro, no Oriente e, depois, no Ocidente; mas, ao longo dos séculos, foram recordados pela Igreja em datas diferentes. Em 1481, o Papa Sisto IV introduziu a festa de Sant’Ana no Breviário romano, fixando a data da sua memória litúrgica em 26 de julho, dia da sua morte, segundo a tradição; em 1584, o Papa Gregório XIII incluiu a celebração litúrgica de Sant’Ana no Missal Romano, estendendo-a a toda a Igreja; em 1510, Papa Júlio II inseriu, no calendário litúrgico, a memória de São Joaquim em 20 de março; depois, foi mudado várias vezes, nos séculos seguintes. Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram "reunidos" em uma única celebração, em 26 de julho. [1]

Legado

Peçamos, portanto, a intercessão de Sant’Ana e São Joaquim por nossos avós e idosos. Que todos os netos saibam respeitar e tratar com ternura seus avós. Em muitas culturas, especialmente no Oriente, os avós são honrados como portadores de sabedoria e autoridade moral, com lugar de destaque nas famílias.

Celebremos com alegria a memória de Sant’Ana e São Joaquim. Sejamos gratos a nossos avós e rezemos por eles. Visitem-nos, liguem para eles, abracem-nos. Se já partiram, recordem com carinho algum momento especial que viveram juntos e rezem uma Ave-Maria em sua intenção. E, sobretudo, ensinem as novas gerações a respeitar e valorizar os idosos, lembrando que a vida passa depressa e cada momento merece ser vivido com amor. [2]

Bibliografia

  1. Vatican News - SS. Joaquim e Ana, pais da Imaculada Virgem Mãe de Deus (26 julho)
  2. Vatican News - Sant’Ana e São Joaquim, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus (27 julho 2025)