São Jorge

PUBLICADO: 5/10/2025

São Jorge
Imagem de São Jorge
Nascimento 280 d.C. Capadócia, Anatólia, Império Romano
Morte Nicomédia, Bitínia, Império Romano. 23 de abril de 303 d.C
Canonização 494 d.C.
Dia Festivo
Padroeiro(a) Cavaleiros, Soldados, Guerreiros, Escoteiros, Esgrimistas, Arqueiros

Poucos santos têm um culto tão difundido e tanta veneração popular como São Jorge, cavaleiro e mártir de Cristo entre os séculos II e IV. Testemunham isso as inúmeras igrejas, a ele dedicadas, e as muitas cidades e regiões do mundo, das quais é padroeiro. Sua festa litúrgica é dia 23 de abril.

Vida Pessoal

Jorge, cujo nome de origem grega significa “agricultor”, nasceu na Capadócia, por volta do ano 280, em uma família cristã. Transferiu-se para a Palestina, onde se alistou no exército de Diocleciano. [2]

Ele foi martirizado, por ordem do Imperador, por não renegar sua fé em Cristo. Era o tempo das grandes perseguições. Muitos renegaram sua fé em Jesus. Só homens e mulheres verdadeiramente fortes, de todas as idades, alimentados pela Palavra e pela Eucaristia, foram capazes de testemunhar o Senhor com suas próprias vidas. [3]

Em 303, quando o imperador emanou um edito para a perseguição dos cristãos, Jorge doou todos os seus bens aos pobres e, diante de Diocleciano, rasgou o documento e professou a sua fé em Cristo. Por isso, sofreu terríveis torturas e, no fim, foi decapitado.

No lugar da sua sepultura, em Lida, - um tempo capital da Palestina, agora cidade israelense, situada perto de Telavive, - foi construída uma Basílica, cujas ruinas ainda são visíveis. [2]

Jorge e o Dragão

São inúmeras as narrações fantasiosas, que nasceram em torno da figura de São Jorge. Um dos seus episódios mais conhecidos é o do dragão e a jovem, salva pelo santo, que remonta ao período das Cruzadas. [2]

Encontramos esta história num famoso livro do dominicano Giácomo de Voragine (que foi arcebispo de Gênova, na Itália), no século XIII, chamado Legenda Aurea. Neste livro, antes de contar-nos o martírio de São Jorge, o autor narra como o santo salvou a cidade de Silena, na então Província Romana da Líbia (Norte da África).

No grande lago junto àquela cidade, escondia-se um dragão, que ameaçava a segurança e a paz da população local. Para impedir que o monstro se aproximasse, os habitantes davam-lhe, todos os dias, duas ovelhas. Quando as ovelhas começaram a faltar, o Conselho local decidiu dar ao animal uma ovelha e um humano, tanto rapazes quanto moças, sorteados dentre os jovens da população.

A sorte caiu, por fim, já depois de algum tempo, sobre a filha do rei da cidade. Amargurado, o rei se despediu da princesa. Esta foi colocar-se junto às margens do lago, esperando seu fim. Foi neste momento, justamente, que surge por lá o jovem Jorge. Vendo a jovem chorar, seu coração de cavaleiro cristão, de rapaz bondoso, não se conteve. Ele se aproximou e perguntou o que havia. A jovem pediu que ele partisse rapidamente, para não ser também ele devorado. Jorge não perdeu a calma e esperou que a princesa contasse a história.

Enquanto ainda conversavam, o dragão colocou sua cabeça para fora da água. A princesa gritou de horror. Jorge imediatamente montou em seu cavalo, protegeu-se com o sinal da cruz e com a audácia e a liberdade própria dos filhos de Deus, atacou o dragão. Brandindo a lança com vigor, recomendou-se a Deus, atingiu o monstro e jogou-o ao chão. Tendo ferido o dragão, Jorge pediu que a princesa colocasse, sem medo, seu cinto em volta do pescoço da fera. O dragão seguiu-a, como um cachorrinho manso.

Jorge e a princesa entram na cidade. O dragão os acompanhava como um manso animal de estimação. O jovem Jorge disse: “Nada temam. O Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo, recebam o batismo, que eu matarei o dragão”. Assim, o rei e toda a cidade foram batizados. São Jorge desembainhou sua espada, que manejava com tanta destreza e pôs fim à existência da besta. Foram precisos quatro pares de bois para arrastar o animal morto para fora dos muros da cidade de Silena!

Jorge sabia que não bastaria matar o dragão. Se os habitantes da cidade não mudassem de vida, não recebessem o batismo, ficariam sempre frágeis perante outros males e monstros que se aproximassem.

O frei Giácomo de Voragine conta, ainda, que em homenagem à Virgem Maria e a Jorge, o rei mandou construir uma grande igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa. O rei ofereceu a Jorge uma enorme quantia em dinheiro. O jovem santo não aceitou. Pediu que o rei doasse o valor aos mais pobres.

Antes de partir, Jorge deu ao rei quatro sábios conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, participar com atenção da liturgia e nunca esquecer os pobres. A seguir, saudou o rei e foi embora. [3]

Devoção

São Jorge é considerado Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Ele é invocado ainda contra a peste, a lepra e as serpentes venenosas. O Santo é honrado também pelos muçulmanos, que lhe deram o apelativo de “profeta”.

Na falta de notícias sobre a sua vida, em 1969, a Igreja mudou a sua celebração: de festa litúrgica passou a ser memória facultativa, sem, porém, alterar seu culto.

As relíquias de São Jorge encontram-se em diversos lugares do mundo. Em Roma, na igreja de São Jorge em Velabro é conservado seu crânio, por desejo do Papa Zacarias. [2]

Legado

Como acontece com outros santos, envolvidos por lendas, poder-se-ia concluir que também a função histórica de São Jorge é recordar ao mundo uma única ideia fundamental: que o bem, com o passar do tempo, vence sempre o mal. A luta contra o mal é uma dimensão sempre presente na história humana, mas esta batalha não se vence sozinhos: São Jorge matou o dragão porque Deus agiu por meio dele. Com Cristo, o mal jamais terá a última palavra! [2]

A belíssima história de São Jorge, a grande devoção que nosso povo tem por ele, os inúmeros milagres operados por sua intercessão, ao longo de séculos, sua firmeza de caráter, enfrentando o mal e o martírio sem nunca perder sua calma (fruto da sua confiança em Cristo), fazem-nos dar graças ao Bom Deus por ser ele o patrono dos escoteiros de todo o mundo, de todos os ramos! Que sua força e sua bondade possam ser inspiração para cada um de nós nesta nossa peregrinação por esta terra, em direção a Cristo! [3]

Oração

Oração de São Jorge contra os inimigos:

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos tendo pés, não me alcancem; tendo mãos, não me peguem; tendo olhos não me vejam e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus com sua Divina Misericórdia e grande poder seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo."

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Jorge mártir (23 abril)
  2. Vatican News - S. Jorge mártir (23 abril)
  3. Vatican News - São Jorge, patrono dos escoteiros (23 abril 2021)