| São Leão Magno | |
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| Nascimento | século V d.C. Toscana, Itália |
| Morte | 10 de novembro de 461. Roma, Itália |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Papas, Protetor de Roma |
"Um dos maiores Pontífices que honraram a Sé romana": assim Bento XVI definiu São Leão Magno. Este Papa, que viveu no século V, passou para a história por ter inspirado o Concílio Ecumênico de Calcedônia e por ter detido Átila, chefe dos Hunos, que estava para invadir a Itália.
Vida Pessoal
No ano 452 d.C., a península italiana tremia diante dos Hunos, liderados por Átila. Grande parte do norte já havia caído nas garras do invasor. As cidades de Aquileia, Pádua e Milão tinham sido conquistadas, saqueadas e arrasadas. Átila avançava na sua contínua corrida e se encontrava perto de Mântua, no rio Mincio. Ali, a história se detém e se forma.
Leão Magno, eleito Papa doze anos antes, guiou uma delegação de Roma para se encontrar com Átila, o qual o dissuadiu de continuar a guerra de invasão.
A lenda – retomada depois por Raphael, nos afrescos das "Salas do Vaticano" – narra que o líder dos hunos se retirou após ter visto aparecer, atrás de Leão, os apóstolos Pedro e Paulo, armados de espadas.
Três anos depois, em 455, foi ainda o "Papa Magno", embora desarmado, a deter, às portas de Roma, os Vândalos da África, guiados pelo rei Genserico. Graças à sua intervenção, a cidade foi saqueada, mas não incendiada. Permaneceram intactas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo fora dos Muros e de São João em Latrão, nas quais a população encontrou abrigo e se salvou.
A vida de Leão, porém, não consistiu apenas no seu compromisso com a paz, que levou adiante com coragem e sem cessar. O Pontífice dedicou-se muito também à defesa da doutrina. Foi ele que, de fato, inspirou o Concílio Ecumênico de Calcedônia — atual Kadıköy, na Turquia —, que reconheceu e afirmou a unidade de duas naturezas em Cristo: humana e divina; rejeitou a “heresia de Eutiques”, que negava a essência humana do Filho de Deus. A intervenção de Leão no Concílio foi feita através de um texto doutrinal fundamental: o “Tomo de Leão” contra Flaviano, bispo de Constantinopla. O documento foi lido publicamente aos 350 Padres conciliares, que o acolheram por aclamação, afirmando: "Pedro falou pela boca de Leão, que ensinou segundo a piedade e a verdade".
Sustentador e promotor da Primazia de Roma, o "Pontífice Magno" deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso pela comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. De fato, foi para eles que incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez, pobreza, injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias – lê-se em seus escritos – para manter constantemente a justiça e "oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível".
Natural da Toscana, tornou-se diácono da Igreja de Roma, por volta do ano 430; dez anos depois, Leão foi enviado pela imperatriz Plácida para pacificar a Gália, disputada pelo general Aécio e o prefeito pretoriano Albino. Após alguns meses, faleceu o Papa Sisto III. Leão, seu conselheiro, foi o sucessor. Sua consagração como Pontífice — o 45º da história — ocorreu em 29 de setembro de 440.
Seu Pontificado, que durou vinte e um anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão; o primeiro Sucessor de Pedro a ser chamado "Magno"; o primeiro Papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos Papas - o outro foi Gregório Magno - a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de "Doutor da Igreja".
A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro Papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de "Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro". [1]
Milagres e Testemunhos
- O Milagre da Mão Restaurada - Registrado na obra Legenda Áurea, conta a lenda que uma mulher fez uma oração fervorosa na missa celebrada pelo Papa e beijou sua mão. O Papa, por cautela em relação a uma possível heresia da época, cortou a mão da mulher. Após rezar novamente à Virgem Maria, a mão foi milagrosamente restaurada.
- Defesa contra as Heresias - Ele é considerado um "Magno" (Grande) por salvar a Igreja do colapso doutrinário, publicando o Tomus ad Flavianum que definiu a fé em Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro homem), e organizou o Concílio de Calcedônia em 451.
Legado
Consciente do momento histórico no qual vivia e da transformação que se estava a verificar num período de profunda crise da Roma pagã para a cristã, Leão Magno soube estar próximo do povo e dos fiéis com a ação pastoral e com a pregação. Incentivou a caridade numa Roma provada pelas carestias, pela afluência dos prófugos, pelas injustiças e pela pobreza. Contrastou as superstições pagãs e a ação dos grupos maniqueus. Relacionou a liturgia com a vida quotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum à caridade e à esmola sobretudo por ocasião das Quatro Têmporas, que marcam no decorrer do ano a mudança das estações. Em particular, Leão Magno ensinou aos seus fiéis e ainda hoje as suas palavras são válidas para nós: a liturgia cristã não é a recordação de acontecimentos do passado, mas a atualização de realidades invisíveis que agem na vida de cada um. É o que ele ressalta num sermão (64, 1-2) a propósito da Páscoa, que deve ser celebrada em todos os tempos do ano "não tanto como algo do passado, mas como um acontecimento do presente". Tudo isto se insere num projeto determinado, insiste o Santo Pontífice: de fato, como o Criador animou com o seu sopro da vida racional o homem plasmado com o pó da terra, depois do pecado original, enviou o seu Filho ao mundo para restituir ao homem a dignidade perdida e destruir o domínio do diabo com a vida nova da graça.
Eis o mistério cristológico para o qual São Leão Magno, com a sua carta ao Concílio de Éfeso, deu uma contribuição eficaz e essencial, confirmando para todos os tempos através desse Concílio quanto disse São Pedro em Cesareia de Filipe. Com Pedro e como Pedro confessou: "Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo". E por isso Deus e Homem juntos, "não alheio ao género humano, mas contrário ao pecado" (cf. Serm. 64). Em virtude desta fé cristológica ele foi um grande portador de paz e de amor. Mostra-nos assim o caminho: na fé aprendemos a caridade. Aprendemos, portanto, com São Leão Magno a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a realizar esta fé todos os dias na acção pela paz e no amor ao próximo. [2]
